Nunca gostei de deitar nada fora. Guardo coisas porque me lembram momentos, épocas, pessoas...
Assim fiz durante os 5 anos de curso. Quando me mudei para a Amadora, pus tudo numa caixa. Como estava a ir para uma morada temporária, decidi não tirar nada da caixa, a não ser que me fizesse falta.
Hoje, quase dois anos depois, mudei-me de novo, para a minha casa nova. A mesma caixa cheia que trouxe para a Amadora continuava cheia. Quase nada do que nela existia me fez falta neste dois anos. Assim veio para a casa nova. Pergunto-me a mim mesmo porque me ligo tanto ao passado e guardo todas estas coisas, que não lhe peguei durante dois anos.
Não gosto de despedidas. Mas hoje foi a despedida da casa da Venteira. Foi estranho ver de novo a casa vazia, tal como a encontrei no primeiro dia que a visitei. Por estes dias foi também a despedida do meu Golf, que fez a sua última viagem para ser abatido. Também ele permanece ligado a momentos e pessoas.
Como vem sendo hábito, deixo-vos uma foto. A de hoje foi tirada nas primeiras semanas de residência na Amadora. Foram inúmeras as vezes que percorri estas escadas.
O tempo passa. As coisas vão mudando, pouco a pouco.
Infelizmente nem tudo.
Foto: Rui Brinquete



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